Geraldo Orthof (Viena, Áustria, 1903 – Rio de Janeiro, RJ, 1993), pintor, desenhista, programador visual, cartazista, publicitário e professor.
Pai da autora de peças infantis Sílvia Orthof, pintou paisagens, retratos e naturezas-mortas, tudo com extrema competência e versatilidade, numa aproximaçăo com o neoexpressionismo.
(Fonte: Jaime Mauricio, Correio da Manhă, Rio de Janeiro, 7. jan. 1974).
1917 Em Viena foi aluno do pintor Windhager.
1920 Entrou na Grafische Lehr um Versuchsanstalt (Escola de Artes Gráficas).
1921 Frequentou a Academia de Belas Artes de Viena, onde teve como mestre Sterrer. 1922 Mudou-se para Berlim, Alemanha, e estudou na Academia de Belas Artes da capital alemă, onde recebeu aulas de Karl Hofer e Ferdinand Spiegel.
1924 e 25 Participou da Feira Internacional de Amostras em Viena, sendo responsável pela parte de cartazes e stands, aprendendo com Gaertner e Kloss a usar os mais variados materiais para obter efeitos visuais a serviço da propaganda.
1925 Participou da mostra de vanguarda da Hagenbund.
1926 Chegou ao Rio de Janeiro, RJ, e tomou parte em exposiçăo da Escola Nacional de Belas Artes, com trabalhos trazidos da Europa. Ganhou o primeiro pręmio de desenho de publicidade no evento.
Travou amizade com Di Cavalcanti, Osvaldo Goeldi e Guignard.
1928 Foi chamado para diagramar a recém-lançada revista semanal O Cruzeiro. Foi contratado como cartazista, por cinco anos, pela Companhia Annuncios em Bonds, que atuava em Săo Paulo, SP, e no Rio de Janeiro.
1932 Participou de coletiva da Pró-Arte, no Rio de Janeiro, na companhia de Goeldi, Guignard e Di Cavalcanti.
1936 Fundou a Publicidade Orthof Ltda., pioneira na publicidade em anúncios out-door no Brasil e na qual
1937 Mudou a razăo social da sua empresa para Publicidade Época S.A.
1944 Criou o sistema quinzenal de trocas de anúncios, padronizando o tipo dos cartazes, começando com quatro folhas e indo até 32. Implantou esse sistema em quase todas as capitais do Brasil, sendo depois imitado no país e no exterior.
1956 Realizou viagens profissionais pelos EUA e Europa. A partir desse ano, começou a dedicar mais tempo ŕ sua atividade como pintor.
1973 Ao completar 70 anos, voltou-se inteiramente para a pintura.
1979 Obteve medalha de ouro na exposiçăo anual do Salăo Julio Koeler, em Petrópolis, RJ.
1982 Foi publicado o livro Geraldo Orthof, no qual Rubem Braga escreveu: Orhtof teve uma temporada abstrata, e outra mais perto do cubismo; deixou isso para lá, embora o cubismo tenha guardado um gosto construtivista. Mas ainda ŕs vezes deixa que seus fantasmas e sonhos naveguem docemente nas pastosas nuvens do expressionismo, como Kokoschka.
Realizou, entre outras, as seguintes exposoçőes individuais:
1959 e 63 Galeria Malura, Munique, Alemanha.
1960 – Galeria Oca, Rio de Janeiro.
1975 e 81 – Galeria Irlandini, Rio de Janeiro.
1979 – Galeria Bamerindus, Petrópolis, RJ.
1982 – Galeria ArtLivre e Galeria Domus, Rio de Janeiro.
1983 – Galeria Grossman, Săo Paulo.
Diversos trabalhos seus pertencem ao acervo da extinta revista Manchete.
Fontes
CAVALCANTI e AYALA. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. MEC/INL, 1973-77.
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. p. 368. Artlivre, Rio de Janeiro, 1988.
Orthof: ordenando a publicidade
O paraíso – Orthof tinha 11 anos quando sua mãe comprou-lhe o primeiro cavalete. Fez seus estudos de arte na cidade natal de Viena e em Berlim.
Em 1926, resolveu escapar a uma Europa em crise e mudou-se para o Brasil, “à procura de um lugar onde não houvesse inflação”.
Ao chegar, descobriu que a função de desenhista comercial era praticamente desconhecida. “Quando uma empresa precisava de propaganda”, conta, “entregava às tipografias não só a confecção como também todo o trabalho de criação. Não havia estrutura que produzisse os anúncios, para depois serem enviados à gráfica.”
Com a ajuda de dois amigos, o gravador Oswaldo Goeldi e o pintor Guignard (os quais lhe serviram inclusive de intérpretes), Orthof começou suas incursões nas artes gráficas. Paginou o primeiro número da revista O Cruzeiro, principalmente a parte publicitária. “Era tudo muito desordenado, um amontoado de anúncios, sem que se pudesse distinguir um texto do outro, uma foto da outra.”
Logo a seguir, foi contratado pela companhia de anúncios em bondes, época da qual datam campanhas como a do Rum Creosotado. Ao mesmo tempo (fins dos anos 20, começo dos 30), participava do movimento artístico nacional, pintando retratos, fazendo cenografia e integrando um grupo formado ainda por Goeldi, Di Cavalcanti e Guignard.
Cobiçadas contas – Em 1937, Geraldo Orthof criou sua própria empresa de publicidade, Época, que assumiu uma posição de destaque, ao lado da também pioneira Standard Propaganda. A alta qualidade de seu trabalho logo conquistou cobiçadas contas, como as da Souza Cruz e Elizabeth Arden. Com a entrada de ag~encias americanas no mercado, entretanto, a situação se modificou. Várias empresas também estrangeiras passaram a dar-lhes preferência. “Tive que fazer uma opção e passei a produzir apenas outdoors.”
Foi néssa área que Orthof acabou deixando sua contribuição mais importante. “No início, era uma atividade dispersa, uma turma de operários colava os cartazes num local, dias depois outra turma colava novos por cima.” Coube a Orthof criar um sistema administrativo que acabou exportando para vários países da Europa, segundo o qual cada cartaz permanece quinze dias. Coube-lhe também padronizar os tamanhos dos cartazes, que medem 8 x 3 metros.
(Fonte: Veja, 25 de fevereiro de 1976 – Edição 390 – ARTE – Pág; 100/101)