Boris Spassky, lenda soviética do xadrez, um dos protagonistas do ‘Jogo do Século’

Os russos Anatoly Karpov (E) e Boris Spassky (D) se cumprimentam em abril de 1974 durante as semifinais do Mundial de Xadrez em Leningrado (atual São Petersburgo)
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Boris Spassky, outrora campeão mundial soviético de xadrez, conhecido especialmente por seu duelo com o americano Bobby Fischer em 1972, em plena Guerra Fria.
O mestre russo do xadrez, que ganhou cidadania francesa em 1978, foi o 10º campeão mundial de xadrez, tendo mantido o título entre 1969 e 1972, quando perdeu para o norte-americano Bobby Fischer em Reykjavik, duelo que ficou conhecido como a disputa do século.
Durante a disputa, ocorrida em meio à Guerra Fria, perdida pelo russo por 12,5 a 8,5, apesar de ter vencido as duas primeiras partidas, Spassky mostrou grande respeito, aplaudindo Fischer após ser derrotado na sexta partida.
Em 1969, Spassky conquistou o título mundial frente ao compatriota Tigran Petrossian e só o perdeu três anos depois, no apelidado jogo do século frente ao norte-americano Bobby Fischer. Em plena Guerra Fria, momento de crispação entre soviéticos e norte-americanos sem ataques direitos entre os dois blocos, Fischer e Spassky defrontaram-se em Reiquejavique, na Islândia.
Num duelo decidido à melhor de 24 partidas, o detentor do título concedeu a derrota após o 21.º duelo quando tinha três pontos de desvantagem para o norte-americano que colocou à hegemonia de campeões mundiais soviéticos.
Vinte anos depois, Spassky e Fischer jogaram novamente, num ritmo bem mais baixo, com o mesmo desfecho do primeiro duelo. O norte-americano faleceu em 2008.
Spassky representou a França em três olimpíadas de xadrez, em 1984, 1986 e 1988. Durante a década de 1990, podia ser visto jogando nos Jardins de Luxemburgo, em Paris.
Spassky continuou a ser considerado jogador de elite após a derrota, conquistado o Campeonato Soviético em 1973, mas foi sempre encarado no seu país como uma desilusão, após perder contra um jogador norte-americano. A caminho dos anos 80, o mítico jogador naturalizou-se francês, recebeu permissão para se mudar para terras gaulesas e por lá ficou até 2012, quando voltou para a Rússia.
Boris Spassky nasceu em 1937 em Leningrado (atual São Petersburgo) e foi um enxadrista precoce e especialmente habilidoso. Em 1969, tornou-se campeão do mundo.
Mas só conseguiu manter o título por três anos. Em 1972, disputou na Islândia uma partida que marcou sua vida, diante do prodígio americano Bobby Fischer, em um duelo com evidente carga geopolítica Leste-Oeste.
Depois da derrota, Spassky caiu em desgraça. Radicou-se na França em 1976, após casar-se com uma francesa de origem russa. Obteve a nacionalidade francesa dois anos mais tarde.
Só voltou a recuperar a atenção do grande público em 1992, quando disputou uma revanche não oficial com Bobby Fischer na Iugoslávia, que o derrotou novamente.
Os últimos anos da vida de Boris Spassky estiveram marcados por um misterioso conflito familiar e seu retorno à Rússia.
Ele sofreu dois derrames, um em 2006 e outro em 2010, e desapareceu dois anos depois de sua casa na França para ressurgir em Moscou, onde fez uma aparição na televisão russa visivelmente debilitado.
Boris Spassky morreu aos 88 anos, indicou a Federação Russa de Xadrez na quinta-feira (27).
“Uma grande personalidade se foi, gerações de jogadores de xadrez estudaram e estudam suas partidas e sua obra. É uma grande perda para o país”, afirmou o presidente da Federação Russa de Xadrez, Andrei Filatov, citado pela agência TASS.
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(Reportagem de Julien Pretot e Tommy Lund em Gdansk, reportagem adicional de Ronald Popeski)
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