David Maybury-Lewis, antropólogo que estudou tribos nativas
David Maybury-Lewis (Crédito da fotografia: cortesia Joe Wrinn/Universidade de Harvard, 1988/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)
David Maybury-Lewis (nasceu em Hyderabad, em 5 de maio de 1929 — faleceu em 2 de dezembro de 2007 em Cambridge, Massachusetts), antropólogo inglês, professor emérito da Universidade Harvard, dos Estados Unidos, um dos maiores estudiosos dos povos Xavante e Xerente, e importante ativista na defesa dos direitos dos povos indígenas.
Maybury-Lewis, um antropólogo cujos estudos sobre tribos nativas na Amazônia o levaram, como o rosto culto de uma série popular na PBS, a defender a preservação de outros grupos indígenas, chegou ao Brasil Central como estudante de pós-graduação na década de 1950 e iniciou estudos sobre os Xerente, Xavante e outros povos das terras baixas com parentesco linguístico. Ele observou costumes sociais, cerimônias e laços de parentesco entre os Xavante.
Ele descreveu a estrutura do grupo em um livro abrangente, “Sociedade Akwe-Shavante” (1967). O livro foi “aclamado como inovador e o primeiro estudo socioantropológico completo sobre um povo indígena brasileiro”, disse Terence S. Turner, professor emérito de antropologia e ciências sociais da Universidade de Chicago.
O Dr. Maybury-Lewis se aproximou das pessoas que estudou e ficou cada vez mais alarmado com o que via como efeitos corrosivos do desenvolvimento na cultura tribal e no meio ambiente.
Em 1972, como solução parcial, o Dr. Maybury-Lewis, que lecionava em Harvard, ajudou a fundar uma organização de direitos humanos, a Cultural Survival, que ele pretendia ser uma referência para grupos indígenas na América Latina e em outros lugares. A organização defende a preservação das línguas, direitos e costumes tribais por meio de bolsas de estudo e educação pública. O Dr. Maybury-Lewis era o presidente do grupo e contava com o apoio de sua esposa, Pia Maybury-Lewis.
Jean E. Jackson, professora de antropologia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, disse que a Cultural Survival teve influência na arrecadação de fundos e no alcance de legisladores em países em desenvolvimento e desempenhou um “papel de vanguarda” ao informar o público “numa época em que os povos tribais estavam sendo sistematicamente aniquilados” na década de 1970.
Em 1992, o Dr. Maybury-Lewis emprestou seu rosto e sua voz elegíaca às preocupações, como apresentador do programa “Millennium: Tribal Wisdom and the Modern World”, exibido na PBS em episódios de 10 horas de duração. Entre outras incursões, a série cruzou fusos horários para apresentar uma perspectiva intercultural sobre sexo e casamento em tribos do Níger e de uma região isolada do Nepal. O Dr. Maybury-Lewis retornou ao Brasil para visitar os Xavante e escreveu sobre arte, fé e identidade em outras culturas tribais em um volume complementar.
Filho de um funcionário público britânico, David Henry Peter Maybury-Lewis nasceu em Hyderabad, no atual Paquistão. Estudou em um internato na Inglaterra, frequentou a Universidade de Cambridge e obteve seu doutorado em antropologia por Oxford em 1960.
Ele foi nomeado professor assistente de antropologia em Harvard em 1961. O Dr. Maybury-Lewis tornou-se professor de antropologia em 1969 e foi presidente do departamento de antropologia de Harvard de 1973 a 1981.
O Dr. Maybury-Lewis foi nomeado professor emérito de antropologia em 2004. Ele também foi curador de etnologia sul-americana no Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia em Harvard.
Maybury-Lewis, foi um dos grandes antropólogos que fizeram pesquisas com os índios Xavante e Xerente. Ele era professor da Universidade de Harvard, desde 1960, tendo obtido seu doutorado na Universidade de Oxford, em 1957.
Nascido no Paquistão em 1929, o britânico David Maybury-Lewis chegou ao Brasil em meados da década de 1950 para realizar pesquisas com os chamados povos “Jê centrais”, como os Xavante e os Xerente, povos indígenas que vivem na região central do Brasil. Escreveu obras clássicas de etnologia, como “A sociedade Xavante”, e o relato de viagem “O selvagem e o inocente”.
O antropólogo fundou, em 1972, a organização Cultural Survival, que desenvolveu ao longo dos anos importante atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas. Ainda foi o mentor do projeto “Harvard-Brasil Central”, que formou no Brasil um importante grupo de pesquisadores na área da antropologia.
Autor de “A Sociedade Xavante” e “O selvagem e o inocente”, este último um livro de memórias, foi também o organizador do projeto “Harvard-Brasil Central”, que ensejou a pesquisa de muitos antropólogos brasileiros e estrangeiros, entre eles, Júlio César Melatti, Jean Carter, Dolores Newton, Terence Turner.
Em 1972, Maybury-Lewis criou a organização “Cultural Survival”, dosando uma mistura de defesa dos povos indígenas com uma certa capacidade de produzir pesquisa.
Ao longo de sua carreira, o Dr. Maybury-Lewis resistiu às críticas de que os antropólogos poderiam contribuir para o declínio de seus temas, como ferramentas do colonialismo ou como corruptores involuntários por sua própria presença.
Em vez disso, ele defendeu uma solução pluralista para aliviar a pressão aparentemente inevitável pela assimilação, uma solução que poderia permitir que grupos indígenas sobrevivessem “assim como minorias étnicas bem-sucedidas fazem em outros lugares”.
Maybury-Lewis faleceu dia 2 de dezembro de 2007, em sua casa em Cambridge, Massachusetts. Ele tinha 78 anos.
A causa foi a doença de Parkinson, disse sua família.
O Dr. Maybury-Lewis deixa a esposa e dois filhos, Anthony, de Londres, e Biorn, de Cambridge, Massachusetts; duas irmãs, Patricia, de Oxford, Inglaterra, e Jean McLaren, de Bristol, Inglaterra; e quatro netos.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2007/12/14/us – New York Times/ NÓS/ Por Jeremy Pearce – 14 de dezembro de 2007)
© 2007 The New York Times Company
(Fonte: http://site-antigo.socioambiental.org/nsa – BRASIL – 04/12/2007)
(Fonte: http://merciogomes.com/2007/12/06 – ANTROPÓLOGO – 06/12/2007)
- Maybury-Lewis organizou o projeto Harvard-Brasil Central e ensejou Júlio César Melatti e Jean Carter


